O que (raio) aconteceu em 2020? O resumo do ano em Guimarães

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Habitualmente estávamos agora a nomear o que de melhor aconteceu na área das artes e cultura em Guimarães neste 2020. Mas sendo este um ano atípico, fazemos apenas um resumo do que aconteceu nos últimos 365 dias.

Tínhamos outros planos para este final de ano. Pela primeira vez teríamos a chance de entregar os melhores do ano, mas como houve poucos acontecimentos (e um claro prémio ao Covid) ficámo-nos por um resumo dos grandes destaques de 2020.

JANEIRO

Uma passagem de ano de arromba no centro histórico e na Plataforma das Artes e com um anúncio promissor por parte da autarquia: 10% do orçamento municipal para 2020 seria destinado à cultura. O facto é que parte desse dinheiro chegou mesmo para ajudar artistas e associações que deram tudo por um 2020 mais ameno no que toca às artes na cidade.

O jovem artista vimaranense Manuel Fonseca instalou-se no CAAA, abrindo as portas a uma das primeiras exposições do ano. Neste mês haveria também esgotado concerto de Capitão Fausto no CCVF.

FEVEREIRO

Depois de um janeiro tímido, uma grande notícia para o projeto FreePass Guimarães. O The Times andou por Guimarães e guiou-se pelas recomendações desta plataforma. Chegou mesmo a escrever maravilhas da cidade berço, numa altura que caíam bem também as notícias que chegavam da National Geographic.

O Covid era ainda um assunto tabu, mas o GUIdance de 2020 haveria mesmo de ser um dos últimos festivais a acontecer na cidade e no país. Nesta altura fazia-se contas aos cartazes e apressavam-se as idas aos espetáculos.

Dois dos momentos musicais de destaque deste mês de fevereiro seriam os concertos de M. Ward no CIAJG e Chico Bernardes nos 20 Arautos, pela Capivara Azul. Este tempo era também para escutar as novas de Manuel de Oliveira, Dada Garbeck, Unsafe Space Garden e Mira Quebec.

Ainda haveria tempo para brincadeiras no Reino da Diversão e umas pedaladas pela recém-criada Ciclovia de Guimarães que apresentava vários trajetos a ligar diferentes pontos da cidade.

MARÇO

Uma grande reabertura no CIAJG com “Caos e Ritmo” a juntar-se a um belo concerto com Moulinex e Bruno Pernadas, Plantasia, davam por encerrado o maior museu de Guimarães (e também outros espaços expositivos) por tempo indeterminado.

Ao mesmo tempo, Guimarães recebia um enchente de estudantes universitários com o Festival de Tunas Académicas Cidade Berço. No São Mamede, era a habitual Festa do El Rock que cumpria a tradição de dar os parabéns a um dos bares mais míticos do centro histórico.

O Covid-19 chegava a Guimarães. Era decretado uma ordem recolhimento e encerramentos de todos os estabelecimentos não essenciais. Um pouco por todo o mundo a imagem seria repetida. Todos os eventos em Guimarães seriam cancelados ou adiados.

ABRIL

Esta seria a imagem mais comum para muitos dos vimaranenses. Fechados em casa, seriam os profissionais de segurança, saúde e estafetas os poucos que circulavam nas vias públicas.

Guimarães teria também mais uma bonita menção da imprensa internacional. O The Guardian destacava 10 ex-Capitias Europeias da Cultura que todos deveriam visitar, entre elas a cidade berço de Portugal.

Sem possibilidades de trabalhar, os artistas vimaranenses concorriam e a aguardavam a nova linha de apoio municipal para as artes. O IMPACTA prometia um pequeno novo fôlego à comunidade artística de Guimarães. Estavam também garantidas novas fórmulas artísticas para as datas do 24 de Junho e Gualterianas.

MAIO

Uma quarentena rica em novos conteúdos foi o que se verificou na cidade berço. Novos discos, com destaque para Unsafe Space Garden e Pedro Emanuel Pereira, e singles a prometer um futuro risonho para quem estava em casa, de Carlos A. Correia, Tyroliro, Ra-Fa-El ou Samuel Martins Coelho.

Era em casa que os vimaranenses acompanhavam muitos dos espetáculos vimaranenses. A Minha Vida Dava Um Livro de 2019, concertos da Orquestra de Guimarães, Banda Musical de Pevidém, Tetr’Acorde Ensemble, espetáculos de Vítor Hugo Pontes, Atrama e CLAV Sessions seriam algumas das sugestões. O GPS, o podcast do FreePass Guimarães trazia também novo modelo de apresentação.

JUNHO

O tão aguardado regresso a um “novo normal” era celebrado com entradas gratuitas em vários museus da cidade de Guimarães. Casa da Memória, Palácio Vila Flor e CIAJG abriam portas a todos com entradas gratuitas. Museu de Alberto Sampaio, Castelo de Guimarães e Paço dos Duques seguiam depois o exemplo às entradas de jovens até aos 26 anos.

Uma vez que a cultura dentro de portas poderia ser um foco de contaminação do novo Coronavirus, Guimarães alterou a estratégia e quis mostrar arte e cultura no espaço público. O mote estava dado e havia vários open-calls para os artistas e criativos locais.

O turismo também dava os primeiros passos na sua retoma. Hotelaria e restauração vimaranense revelava grandes promoções e a autarquia anunciava uma nova edição do Use-It, um mapa europeu feito por locais, e uma clara aposta no turismo de natureza.

Lufada seria o primeiro grande momento das artes em Guimarães. Os artistas Bjazz, Benjamim, Pedro Emanuel Pereira ou Tó Trips com “Surdina”, lançavam-se ao desconhecido, muitos deles sem saberem a reação do público. A resposta foi bastante positiva. Por outro lado, A Oficina apresentava também uma nova diretora artística, Fátima Alçada.

JULHO

O mês em que a arte urbana tomou conta da cidade. A Circus Network chegou a pintou um Bairro C a fervilhar de criatividade. A par desta iniciativa começavam a soltar-se algumas das propostas do primeiro modelo de financiamento às artes municipais.

O cinema ao ar livre seria também uma das grandes apostas para o verão do estranho 2020. Drive-in no Multiusos de Guimarães e o anuncio do Cinema em Noites de Verão davam uma boa perspetiva para os dias mais quentes em Guimarães.

Novos caminhos viriam a ganhar destaque em Guimarães através da arte com grandes propostas no Bairro C. Artistas programavam e realizavam criações um pouco por toda a cidade chegando a haver repercussões do que se passaria pela cidade na Europa.

Aos poucos, a cultura ia também ganhando um espaço hibrido na cidade. O Guimarães Allegro foi transmitido online para todo o mundo, chegando a ter espetadores de todos os cantos do planeta.

AGOSTO

A transição para agosto é sinónimo de Festas Gualterianas. Com um programa adaptado, o Município de Guimarães convocou artistas e obreiros das marchas para umas festas à medida do Covid. As propostas não poderiam ser melhores e os resultados foram muito positivos. O público respondeu também ao desafio de criar um grande mural de azulejos dedicado às Gualterianas.

Para além dos concertos, de acessos condicionados, que existiam um pouco por toda a cidade o público conseguiu explorar todo um mundo artístico e também dedicado às Gualterianas com uma enorme galeria nas ruas da cidade com fotografias, cartazes e memórias das Festas da Cidade. Artistas plásticos deram um belo contributo à Rua de Sto. António com os seus trabalhos nas montras das lojas com a open call des-CONFI(n)AR.

Entre o labirinto de artes que se ia moldando na cidade, tempo havia para assistir, em segurança, a um filme no centro histórico. O local do Cinema em Noites de Verão mudou, mas não mudou o hábito de assistir cinema ao ar livre dos vimaranenses.

A principal responsável pelo título de Capital Europeia da Cultura 2012 e uma das impulsionadoras do carimbo da UNESCO para Guimarães, Francisca Abreu, a “mulher-cultura”, deixava-nos neste fim de agosto.

Entretanto, outros artistas vimaranenses lançavam músicas novas. Foram os casos de Mister Roland, Theo, Needle, Captain Boy, Murukutu, Tiago Simães, Manuel de Oliveira e John & The Charmers, por exemplo.

SETEMBRO

A rentrée cultural de setembro da Oficina não foi, de todo, vulgar. Programas alternativos, com lotações limitadas, transmissões online e o anúncio da tão desejada nova diretora para o CIAJG. Marta Mestre assume o cargo de curadora do museu do mundo.

Ano par, ano para mais uma Contextile. A Bienal de Arte Têxtil Contemporânea de Guimarães chegou para mais uma grande edição, com a participação mais elevada de sempre. Várias instituições abririam portas a uma das Contextile mais concorridas em termos de público.

Com poucas possibilidades de haver mais um momento de inspiração, o TEDx Guimarães não se realizou nos moldes habituais. Invés disso foi para a rua, com um mini-palco, encontrar vimaranenses inspiradores. O mote da próxima edição é (A)manhã.

A arte no espaço público continuava a ter grande impacto na cidade de Guimarães. Desta vez era o Coletivo Trave que iluminava o distanciamento social com esta instalação na Feira do Pão.

As propostas do des-CONFI(n)AR continuavam a ligar Guimarães aos vimaranenses. Entre os vários proponentes destacamos este teatro improvisado e com distanciamento assegurado, apelidado de “Ouve-me de Perto como se te Tocasse”.

Foi polémica a estreia de Catarina e a Beleza de Matar Fascistas no Centro Cultural Vila Flor, mas isso não impediu que as duas sessões previstas para esta nova peça de teatro de Tiago Rodrigues estivessem completamente esgotadas.

OUTUBRO

O Parque de Estacionamento de Camões/Caldeiroa transformou-se numa grande galeria para acolher as centenas de propostas que o Guimarães noc noc recebeu. Aos 10 anos de existência, este festival assegurou uma grande edição e adaptada.

Um polvo gigante a sair dos esgotos com plásticos nos seus tentáculos viria a alertar a população para uso excessivo deste material no dia a dia. Ao longo das semanas seguintes, outras instalações apresentaram-se um pouco por toda a cidade de Guimarães, num projeto denominado de Aqualastic.

Fruto de uma open call este quadro gigante encontra-se em leilão. Foi “pintado a quatro mãos” pelos artistas Zé Teibão, Luís Canário Rocha, Igor Gonçalves e Rafael Oliveira e grande parte do valor encaixado será doado à Refood Guimarães.

Nesta segunda vaga do ciclo Terra, da Capivara Azul, o grande destaque vai para Baiuca. O projeto galego que junta música eletrónica com sons tradicionais da Galiza, fez sucesso numa sessão esgotadíssima no CIAJG.

NOVEMBRO

Guimarães provou pela primeira vez jazz ao pequeno almoço e antes do jantar. As restrições levaram o festival Guimarães Jazz a adaptar-se e a colocar na agenda concertos às 10:30 e às 19:00. Resultado? Todos gostaram e poderá vir a tornar-se num novo normal na cidade.

Quase a fechar o ano assistimos aos lançamentos de Paraguaii e Yeallow Bennie. Os destaques também foram para as Conversas Pintadas de Luís Canário Rocha e outros conteúdos online que também chegaram à nova plataforma local Em Guimarães.

Certo é que as Nicolinas de 2020 aconteceram, e quase ninguém dava por elas se a manhã do Pinheiro tivesse sido um pouco menos barulhenta. O resto das festas prosseguiram com os habituais números e em formatos adaptados.

DEZEMBRO

Dezembro pode ter sido um dos últimos meses com muitas das atividades suspensas. A chegada das vacinas e uma grande adaptação do público aos horários e nas idas aos espetáculos ou nas visitas aos museus (na imagem a celebração dos 15 Anos do Palácio Vila Flor), fazem com que o novo normal esteja um quase “normal”.

Sem possibilidades de ensaios e de encontros, o coletivo Outra Voz tem em Couros uma instalação visual/sonora feita com materiais do dia a dia. As cantigas, os sons, os costumes e as tradições para explorar até meados de janeiro de 2021.

A tempo do Natal chegou a prometida plataforma Guimarães ProximCity. Agora os clientes podem comprar no comércio local sem terem que se deslocar fisicamente ao estabelecimento e ainda podem receber as encomendas em casa.

O projeto Pintar o Natal de Alguém encantou Guimarães. Seis árvores, transformadas por seis artistas da cidade, estabeleceram-se na rua de forma a sinalizar onde os vimaranenses podiam deixar alimentos e brinquedos para instituições de solidariedade social. Os resultados foram avassaladores.

Fotografia de capa: José Caldeira

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