A frágil noite vimaranense: a pequena “movida”

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Muito se têm queixado os comerciantes e o público da “movida vimaranense”. Falta de alternativas leva Guimarães a ficar com “pouco movimento nocturno” e a ter concorrentes à altura para haver viagens apetecíveis de automóvel para outras cidades.

Com os habituais encerramentos para férias de bares e clubes nocturnos a cidade de Guimarães fica sem alternativas para os mais notivagos. Estes procuram agora fora da cidade e com isso fazem com que cidades vizinhas como Braga, Porto ou Santo Tirso pareçam melhores apostas para noites mais completas.

Noites completas refira-se ao facto de ter um começo de noite fora de portas (na rua) e depois clubes nocturnos. Guimarães situa-se num ponto que não conta com alternativa após as 2:00 da manhã. Uma cidade que se prezou pela cultura e por uma boa programação dentro e fora dos seus espaços culturais e de animação, tem agora problemas quanto à manutenção do próprio público.

Por muito boa que seja a programação cultural, esta pode cair por terra caso se apanhe o ciclo vicioso de “chegar às 2:00 da manhã e ir embora”. Sem as associações CAR, Convívio ou os clubes Occhio ou Tribuna, o público tem afunilado para outros caminhos e arranjando soluções, bem criativas, para aproveitar o resto da noite. Soluções que podem custar o sono a vizinhos, nomeadamente do centro histórico.

Quem tem incomodado pouco os vizinhos, e muitas vezes esgotados nos dois dias da semana, é o Século XIX. Uma casa que se afirmou na região norte como uma das salas mais badaladas tanto à Sexta-feira como ao Sábado.

Voltando ao “centro”, uma cidade que morre às 2:00 da manhã é provável que a culpa seja atribuída a responsáveis autárquicos; mas não é só. Também o privado se tem afastado e discutido pouco as alternativas. Tem olhado mais para o vizinho que para o seu próprio ambiente. Preocupa-se mais em “tramar” o outro do que pensar na sua própria cidade e em ver o seus clientes felizes, porque acha que o vizinho lhes roubou a clientela. Calma, há lugar para todos e assim não vamos lá!

Também a autarquia não se livra de alguma responsabilidade: é preciso autorizar licenças para lá das 2:00. É preciso pensar em novas zonas de diversão nocturna e aliciar os privados, para que estes se sintam confortáveis em investir nos seus negócios, munindo-os até de melhores condições de isolamento de som, melhor segurança e conforto para o cliente.

Não será o Parque de Estacionamento da Caldeiroa o salvador do comércio em Guimarães. Nem sequer o “não encerramento para férias” dos bares e clubes de diversão. Mas talvez uma pequena mudança de mentalidade, tanto dos privados como do público.

Ivo Rainha

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