A Opaca Alvorada Vimaranense

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Lareira doirada, a queimar para ser sentida. Chama consumida no cálice de vinho do porto que no chão se embrulhou. A pedir alguma orientação daquele pedaço de madeira, uma vez vivo no amanhecer do canto.

Este navegador, em outra hora acalorado, rende-se a esta nevoenta cidade! Ambos sabemos onde vão dar os becos desta terra. Por isso é que estas palavras nunca serão objeto da corriqueira curiosidade. Cidade de vielas e de casas encantadas com romances cliché. Estes saraus profanadores ardem na tua cintura. Esta cidade onde se nasce com espada e escudo sobre este mantra da alma inscrito nesta antiga muralha. Este denso e cinzento dia, que descansa sobre aquelas folhas, não me consegue expressar! Desde que a minha musa passou a lua de sangue tudo me corrói, corrói. Eu vim da praça por todos os trilhos estilhaçados mas cheguei com esta sola escorregadia aquela familiar e sombria entrada dos dois arcos. Eu vim pela salvação mas desde aquele início de jantar nos esquecidos subúrbios, toda lenha foi queimada pelas partes de uma canção!

De volta a mim sobre a asa daquela labareda voltei-te a encontrar na sombra deste castelo onde nunca subi contigo, apenas o contemplei. Vens comigo ver aquele fenómeno da lua? Aquela onde a Mumadona está sobre a fase da lua que foi pelo Ivo fotografada? Estranho esta crónica com referências tão atómicas. Estamos em Guimarães nesta névoa de romance antigo onde as musas, pelo gélido granito, procuram a sublime voz para da Penha serem vistas. Do cume da mística Penha vejo que esta cidade assemelha-se a um porto numa neblina noite em guerra, contra as pequenas luzes dos celestiais pirilampos mecânicos! Eu estava alucinado à procura das palmeiras desta velha terra, mas quando as encontrei elas estavam a aproveitar o resto do seu tempo para soltar aquele venoso sangue! Oh Guimarães, estás tu à espera que a Penha diminua para te voltares a elevar? O tempo escasseia a cada shot que na oliveira é devorado. Perguntas como alguém me terá desejado à beira desta capela profanada, por esta juventude mediocremente julgada.

Deixa-me levar-te a um pequeno lugar, insano, a norte da consciência. Ele levar-te-á a terreno algures na batalha perdido! Aterrorizado pelas respostas, nunca nenhum piano no C.A.R. será tocado; nunca nenhuma escapadela se dará ao Pio IX, na noite desflorada! Preferes o rosto pálido daquela sagrada praça que te beija com este nostálgico nome. O que restará desta macieira perdida nesta inútil baqueta partida? A quem com o fruto de pecado primordial irei fazer aquelas juras de amor? Já é suficiente para os pássaros deixar de ouvir e o divino mar suplicar! Que chegue a Guimarães as águas salgadas que irão glorificar a tua memória. Minha eterna rainha, labareda na noite de azevinho! Todas as estrelas do cosmos numeram as razões pela tua sublime existência. Se algum dia esta for ameaçada, que pelos meus punhos esta muralha seja derrubada!

Charles Haze

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