Nicolinas 2017

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Na chegada do Verão de São Martinho, o mais habitual é vermos os vermelhos a surgirem nos quatro cantos da cidade berço com as Nicolinas. Desde os lenços usados ao colarinho às caixas pousadas ao sol, Guimarães despede-se do Outono a 29 de Novembro e abraça o frio com a gastronomia (bebida incluída) do Minho até 7 de Dezembro.

A mudança da temperatura tem um nome em Guimarães: Nicolinas. Aqui organiza-se a maior e mais antiga festa dos estudantes de todo o país. E os responsáveis são apenas dez. Deles sai sangue, suor e lágrimas, mas nunca a barba. Essa manter-se-à a partir do momento da sua eleição até ao fim das festas.

Com a nova Comissão de Festas já esclarecida, o embarque na viagem está prestes a começar. Antes, há ainda que mostrar as carcaças, a afinação do toque e os diversos ajuntamentos denominados por Moinas. Estas acontecem todos os Sábados do mês de Novembro até ao Cortejo do Pinheiro.

PINHEIRO | 29 de Novembro
É a chamada “da teoria à prática”. O cortejo vai por-te à prova a partir das 23:00, junto ao Campo S. Mamede. Seja do equilíbrio, de um grande rombo na pele ou do típico liquido “pinta-lábios”, o Pinheiro põe toda a gente em check. Visto como ponto de encontro de muitos vimaranenses longínquos, é sempre uma boa altura para reveres alguns bons e velhos amigos.

DANÇAS DE S. NICOLAU | 2 de Dezembro
Aqui não há mão da Comissão. São os Velhos Nicolinos a tratarem da saúde aos mais novos e mostrarem, em forma de teatro, como envelhecer na cidade de Guimarães. Da Dona Muma ao Shor Afonso Henriques, a peça atravessa toda a história da cidade e é digna de uma boa noite de riso no CCVF.

POSSES E MAGUSTO | 4 de Dezembro
Se a recuperação do Pinheiro não foi bem feita, é tempo para exercitar. Pelo menos os risos. Esta noite é quando a Comissão fica ao serviço do povo. Percorrem ruas e praças, juntamente com a “baunda”, catam-se umas esforçadas ofertas, para no fim servi-las a quem desejar alimentar-se do enorme esforço dos valentes trepadores de varandas.

PREGRÃO | 5 de Dezembro
Na primeira vez que as Nicolinas vêm a luz do dia, é também o dia de dizer umas verdades. Aqui não há censura ou lápis azul e é tudo corrido a bitaites, quase em forma de soneto. A partir das 15:00 sai uma carroça do Largo Republica do Brasil e seguirá desgovernada por entre ruas apertadas e púlpitos improvisados.

MAÇÃZINHAS | 6 de Dezembro
E se o profano e o mal-dizer reinaram até agora, tempo é para mostrar a parte romântica (mentira). A Praça S. Tiago é coberta por capas negras nas suas varandas e nelas estarão as mais lindas donzelas, à espera dos seus pretendentes que irão erguer as suas lanças com maçãs ali enfiadas. Mensagem entregue? Simplificando: é o Tinder dos tempos antigos.

BAILE DA SAUDADE | 7 de Dezembro
Tempo de descanso e reflexão. Há que tirar as conclusões do que acabou de acontecer. Correu tudo bem e ainda estamos em tempo de Festas Nicolinas. Aqui no Baile, há danças, elegância, glamour e majestosos brindes de vinho verde. E depois de teres conseguido conquistar o coração da moça da varanda no dia anterior, está na hora da dança.

ROUBALHEIRAS | Dia Incerto
Em tempos de Nicolinas, altura para esconder os pertences. Calma, não há cá carteiristas, apenas uns larápios que percorrem a cidade e “roubam” tudo que lhes aparece à frente. Mas “à lá Ali Baba” há um esconderijo onde são colocados todos os seus troféus: o Largo do Toural. De manhãzinha, o melhor é ver as caras dos transeuntes a perceberem a grande dimensão que isto apresenta.

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